4 de jun de 2012

Estudando o" Livro dos Espíritos "



Parte Segunda – Mundo espírita ou dos espíritosCapítulo 1 – dos Espíritos










114 Os Espíritos são bons ou maus por natureza ou são eles mesmos que se melhoram?
– São os próprios Espíritos que se melhoram, passando de uma ordem inferior para uma ordem superior.
115 Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?
– Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida.
115 a Assim sendo, os Espíritos seriam em sua origem semelhantes às crianças, ignorantes e sem experiência, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrer as diferentes fases da vida?
– Sim, a comparação é boa. A criança rebelde permanece ignorante e imperfeita, tem maior ou menor aproveitamento segundo sua docilidade. Porém, a vida do homem tem um limite, um fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito.
116 Há Espíritos que permanecerão perpetuamente nas classes inferiores?
– Não, todos se tornarão perfeitos. Eles progridem, mas demoradamente. Como já dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos. Pretenderíeis que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?
117 Depende dos Espíritos apressar seu progresso para a perfeição?
– Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente conforme seu desejo e submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais rapidamente do que uma criança rebelde?
118 Os Espíritos podem se degenerar?
– Não; à medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito acaba uma prova, fica com o conhecimento que adquiriu e não o esquece mais. Pode ficar estacionário, mas retroceder, não retrocede.
119 Deus não poderia isentar os Espíritos das provas que devem sofrer para atingir a primeira ordem?
– Se tivessem sido criados perfeitos, não teriam nenhum mérito para desfrutar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o mérito sem a luta? Além do mais, a desigualdade entre eles é necessária para desenvolver a personalidade, e a missão que realizam nessas diferentes ordens está nos desígnios da Providência para a harmonia do universo.
☼ Tendo em vista que na vida social todos os homens podem chegar às primeiras funções, igualmente poderíamos perguntar por que o soberano de um país não promove cada um de seus soldados a general; por que todos os empregados subalternos não são empregados superiores; por que todos os estudantes não são mestres. Portanto, há essa diferença entre a vida social e a vida espiritual: a primeira é limitada e nem sempre permite alcançar todos os graus, enquanto a segunda é indefinida e deixa a cada um a possibilidade de se elevar ao grau supremo.
120 Todos os Espíritos passam pelo mal para chegar ao bem?
– Pelo mal, não, mas sim pela fieira5 da ignorância.
121 Por que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal?
– Não têm eles o livre-arbítrio? Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, ou seja, com as mesmas aptidões tanto para o bem quanto para o mal. Os que são maus o são por vontade própria.
122 Como é que os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm consciência de si mesmos, podem ter a liberdade de escolha entre o bem e o mal? Há neles algum princípio, alguma tendência que os leve para um ou outro caminho?
– O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Não haveria mais liberdade se a escolha fosse determinada ou imposta por uma causa independente da vontade do Espírito. A causa não está nele, e sim fora, nas influências a que cede em virtude de sua livre vontade. É essa a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam, outros resistiram à tentação.
122 a De onde parte a influência sobre ele?
– Dos Espíritos imperfeitos que procuram apossar-se dele para dominá-lo e ficam satisfeitos de o fazer fracassar. Foi isso que se quis simbolizar na figura de Satanás.
122 b Essa influência se exerce sobre o Espírito somente em sua origem?
– Essa influência o segue na sua vida de Espírito até que alcance um domínio tão completo sobre si mesmo que os maus desistam de obsediá-lo6
123 Por que Deus permitiu que os Espíritos pudessem seguir o caminho do mal?
– Como ousais pedir a Deus conta de seus atos? Pensais poder penetrar seus desígnios? Entretanto, podeis pensar assim: a sabedoria de Deus está na liberdade de escolha que dá a cada um, porque, assim, cada um tem o mérito de suas obras.
124 Uma vez que há Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, deve haver, sem dúvida, degraus entre esses dois extremos?
– Sim, certamente, e é aí que se encontra a grande maioria.
125 Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros?
– Sim, mas as eternidades serão para eles mais longas.
☼ Por esta expressão – as eternidades – deve-se entender a idéia que os Espíritos inferiores têm da perpetuidade de seus sofrimentos, porque, como não lhes é dado ver o fim do seu sofrimento, essa idéia revive em todas as provas em que fracassam7
126 Os Espíritos que alcançaram o grau supremo de perfeição, após terem passado pelo mal, têm menos mérito do que os outros, aos olhos de Deus?
– Deus contempla a todos do mesmo modo e os ama com o mesmo coração. Eles foram chamados maus por fracassarem; mas no início eram só simples Espíritos.
127 Os Espíritos são criados iguais quanto às aptidões intelectuais?
– Eles são criados iguais, mas, não sabendo de onde vêm, é preciso que o livre-arbítrio prossiga seu curso. Progridem mais ou menos rapidamente em inteligência como em moralidade.
☼ Os Espíritos que seguem desde o princípio o caminho do bem nem por isso são Espíritos perfeitos. Se não têm tendências más ainda precisam adquirir a experiência e os conhecimentos necessários para atingir a perfeição. Podemos compará-los a crianças que, qualquer que seja a bondade de seus instintos naturais, têm necessidade de se desenvolver, se esclarecer e não passam, sem transição, da infância à idade adulta. Assim como há homens bons e outros maus desde sua infância, há também Espíritos bons ou maus desde sua origem, com a diferença fundamental de que a criança tem os instintos todos formados, enquanto o Espírito, na sua formação, não é mau, nem bom; tem todas as tendências e toma uma ou outra direção por efeito de seu livre-arbítrio.

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