23 de dez. de 2020

FELIZ NATAL


Ressonâncias do Natal

Lembrando-te dEle, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no coração e na mente, a fim de que jamais te separes dEle.

Na paisagem fria e sem melhor acolhimento, a única hospedaria à disposição era a gruta modesta onde se guardavam os animais.

Não havia outro lugar que O pudesse receber.

O mundo repleto de problemas e de vidas inquietas, preocupava-se com os poderosos do momento e reservava distinções apenas para os que se refastelavam no luxo bem como no prazer.

Aos simples e desataviados sempre se dedicavam indiferença, desrespeito, fechando-lhes as portas, dificultando-lhes os passos.

Mas, hoje, tudo permanece quase que da mesma forma.

Não obstante, durante aquela noite de céu transparente e estrelado, entre os animais domésticos, em uma pequena baia transformada em berço acolhedor, nasceu Jesus, que transformou a estrebaria num cendal de luzes inapagáveis, que prosseguem projetando claridade na noite demorada dos séculos, há dois mil anos…

Inaugurando a era da humildade e da renúncia, Jesus elegeu a simplicidade, a fim de ensinar engrandecimento íntimo como condição única para a felicidade real.

O Seu reino, que então se instalou naquela noite de harmonias cósmicas, permanece ensejando oportunidades de redenção a todos quantos se resolvam por instalar-se nas suas dependências.

E o Seu nascimento modesto continua produzindo ressonâncias históricas, antes jamais previstas.

Homens e mulheres, que tomaram contato com a Sua notícia e mensagem, transformaram-se, mudando o seu roteiro de vida e comportamento, transformando-se, a partir de então, em luzeiros que apontam rumos felizes para a Humanidade.

*

Guerreiros triunfadores passaram pelo mundo desde aquela época, inumeráveis.

Governadores poderosos estabeleceram reinos e impérios, que pareciam preparados para a eternidade, e ruíram dolorosamente.

Artistas e técnicos de rara beleza e profundo conhecimento criaram formas e aparelhagens sofisticadas para tornarem a Terra melhor, e desapareceram.

Ditadores indomáveis e aristocratas incomuns surgiram no proscênio terrestre, envergando posição, orgulho e superioridade, que o túmulo silenciou.

… Estiveram, por algum tempo, deixando suas pegadas fortes, que tornaram alguns odiados, outros rechaçados e sob o desprezo das gerações posteriores.

Jesus, porém, foi diferente.

Incompreendido, o Cantor do Amor aceitou a cruz, para não anuir com o crime, e abraçou a morte para não se mancomunar com os mortos.

Por isso, ressurgiu, em triunfo e grandeza, permanecendo o Ser mais perfeito que jamais esteve na Terra, como modelo que Deus nos ofereceu para Guia.

*

Quando a Humanidade experimenta dores superlativas; quando a miséria socioeconômica assassina milhões de vidas que estertoram ao abandono; quando enfermidades cruéis demonstram a fragilidade orgânica das criaturas; quando a violência enlouquece e mata; quando os tóxicos arruínam largas faixas da juventude mundial, ao lado de outros males que atestam a falência do materialismo, ressurge a figura impoluta de Jesus, convidando à reflexão, ao amor e à paz, enquanto as ressonâncias do Seu Natal falam em silêncio: Ele, que tem salvado vidas incontáveis, pede para que tentes fazer algo, amando e libertando do crime pelo menos uma pessoa.

Lembrando-te dEle, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no coração e na mente, a fim de que jamais te separes dEle.

Joanna de Ângelis


(Bênçãos do Natal, Divaldo Franco – Joanna de Ângelis – Espírito, cap. 7, ed. LEAL)

23 de nov. de 2020

AUTOR: LEON TOLSTÓI


Leon Tolstói
 
1, nascido em Iasnaia Poliana, em 1828, afirmou:  Pertenço à categoria dos loucos     mansos
 E diz que sua vida tem quatro fases distintas: a da inocência poética e maravilhosa, a da juventude ao serviço do orgulho e vícios, a do casamento à ressurreição espiritual e a quarta, da sua redenção moral. A tudo isso nada desejo mudar, escreveu, a não ser os maus hábitos contraídos no decurso dos períodos anteriores.

Em 1857, viajou pelo Exterior e retornou à Rússia, ardendo de desejo de ajudar o seu povo. Fundou, em sua propriedade, uma escola para crianças e adultos, buscando aplicar o que vira no Ocidente, empregando um método que se baseava na compreensão e na bondade e que excluía o castigo físico.4

Reencontrando Sofia Andrieievna, amiga de infância, casou-se, em 1862, e viveu em relativa felicidade e tranquilidade até 1869, quando concluiu Guerra e paz. Nesse período, ocorrem as mortes de três de seus filhos e Sofia adoece.

Tolstói está escrevendo Ana Karenina, que foi classificado como uma perfeita obra de arte, por Dostoievski, mas se sente abatido e vazio, com dificuldades emocionais para concluir a obra. Reconhece ter tudo, é escritor renomado, tem saúde, dinheiro, ama e é amado, mas a vida perdeu o sentido.

Ele deseja conhecer a razão da vida, a diferença entre o bem e o mal, como se deve viver, o que é a morte. Nenhuma filosofia consegue aplacar a dor de sua alma. Resolve ir em busca da religião, dialoga com religiosos e aprofunda-se no Evangelho. Descobre o quanto a religião está na superficialidade daquela obra magistral, decepciona-se e resolve pregar o cristianismo e viver os seus ensinos.

Na frase de Jesus, que não resistais ao mal (Mt 5:39) ele, de fato, encontra um caminho. Procura viver de forma condizente com seu novo credo, funda uma doutrina, o Tolstoísmo, que pregava o não revidar o mal, falava da necessidade de amar ao próximo como a si mesmo, pregava a renúncia das riquezas, a abstinência sexual entre os casais, evitar o ócio.

Entretanto, ele próprio se esforçava por seguir o que pregava. Ao tratar da abstinência sexual, sua esposa dava à luz ao seu décimo terceiro filho. Em relação ao ócio, afirmava que a minha preguiça é tal que a ociosidade se tornou para mim uma exigência.

Apesar de cuidar dos seus servos não pôde se desfazer de toda a riqueza, por impedimentos familiares.

Foi enorme o impacto dessa fase de sua vida sobre o mundo. Gandhi, que conhecia parte da obra de Tolstói, leu a Carta a um Hindu, em uma tradução de Tchertkov e captou o conceito de resistência passiva pela não violência.  Ambos mantiveram uma correspondência densa, porém breve, interrompida definitivamente pela morte de Tolstói.

O escritor russo Gorki define Tolstói como um homem de humanidade, nem melhor nem diferente dos outros, mas um homem que sentia melhor, sofria mais, vivia mais intensamente. 2

Em sua obra, datada de 1886, A morte de Ivan Ilitch, fica evidente que, para ele, a caridade é o segredo para a salvação.

No final da vida ele queria viver no recolhimento, na paz, na simplicidade. Sofia desejava a corte. Ele foge de casa em outubro de 1910, está com oitenta e dois anos. Não vai muito longe. Doente e cansado, detém-se para descanso na aldeia de Astápovo, onde vem a desencarnar, a 7 de novembro [os autores são contraditórios, citando alguns o dia 14 e outros o dia 20].

Em todo o mundo rendeu-se lhe o tributo de uma admiração e de um reconhecimento sem limites. Tolstói é considerado grande – não pelos seus ensaios, mas pelas obras de ficção que tantas vezes rejeitou em vida; não pelas doutrinas que criou, pelas previsões de sociedades do futuro, pelos arroubos de misticismo… mas pelo fato de ter lutado para tentar pôr suas ideias em prática, pela visão de mundo que transmitiu, pelo conhecimento profundo da alma humana que captou com maestria e registrou em sua obra4.

No ano de 1961, o Espírito Tolstói se apresentou para a médium Yvonne do Amaral Pereira, dizendo-lhe do seu propósito de escrever por seu intermédio.

O primeiro foi o conto O sonho de Rafaela que, junto a outros cinco e dois pequenos romances reunidos deram vida, em 1963, ao livro Ressurreição e vida, editado pela Federação Espírita Brasileira – FEB, onde aborda, de forma brilhante, a reencarnação, a imortalidade, a obsessão e o psiquismo humano.

Em 1973, no livro Sublimação [ed. FEB], nos brinda com quatro contos.

 Bibliografia:

1. GIGANTES: Leão Tolstói. Verbo, 1972.

2. NETO, Aureliano Alves. Tolstói. Presença Espírita, ano IX, n. 108, fev. 1983.

3. AS Ideias espíritas de Leon Tolstói. Revista Internacional de Espiritismo, ano      LXXVIII, n. 09, out. 2003.

4. http://feparana.com.br/topico/?topico=739

 

Fonte: http://www.mundoespirita.com.br/?materia=leon-nikolaievich-tolstoi

 

16 de nov. de 2020

ESTUDANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 TERCEIRA PARTE - AS LEIS MORAIS

LEI DA - CONSERVAÇÃO - CAPÍTULO 5

III – Gozo dos Bens da Terra

      711. O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens?                    

        – Esse direito é a consequência da necessidade de viver. Deus não pode impor um dever sem conceder os meios de ser cumprido

        712_Com que fim Deus fez atrativos os gozos dos bens materiais?

        – Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e também para o provar na tentação.

        712 – a) Qual o objetivo dessa tentação?

       – Desenvolver a razão que deve preservá-lo dos excessos.

Comentário de Kardec: Se o homem não fosse instigado ao uso dos bens da Terra senão em vista de sua utilidade, sua indiferença poderia ter comprometido a harmonia do Universo. Deus lhe dá o atrativo do prazer que o solicita a realização dos desígnios da Providência. Mas, por meio desse mesmo atrativo, Deus quis prová-lo também pela tentação, que o arrasta ao abuso, do qual a sua razão deve livrá-lo

       713. Os gozos têm limites traçados pela Natureza?

         Sim, para vos mostrar o termo do necessário; mas pelos vossos excessos chegais até o aborrecimento e com isso vos punis a vós mesmos.

        714.Que pensar do homem que procura nos excessos de toda espécie um refinamento dos seus gozos?

      — Pobre criatura que devemos lastimar e não invejar, porque está bem próxima da morte!

       714 – a) É da morte física ou da morte moral que ele se aproxima?

      — De uma e de outra.

Comentário de Kardec:  O homem que procura, nos excessos de toda espécie um refinamento dos gozos coloca-se abaixo dos animais, porque estes sabem limitar-se à satisfação de suas necessidades. Ele abdica da razão que Deus lhe deu para guia e quanto maiores forem os seus excessos maior é o império que concedeu a sua natureza animal sobre a espiritual. As doenças, a decadência, a própria morte, que são a consequência do abuso, são também a punição da transgressão da lei de Deus.

SUGESTÃO DE LEITURA

Como sugestão de leitura trazemos o livro Ave, Cristo! de Emmanuel pela psicografia de Francisco C. Xavier. Abaixo temos as primeiras linhas desse belo livro. 

"Hoje, como outrora, na organização social em decadência, Jesus avança no mundo, restaurando a esperança e a fraternidade, para que o santuário do amor seja reconstituído em seus legítimos fundamentos.

Por mais se desenfreie a tormenta, Cristo pacífica.

Por mais negreje a sombra, Cristo ilumina.

Por mais que se desmande a força, Cristo reina."...

Boa leitura!

Sinopse: Ave, Cristo! Os que vão viver para sempre te glorificam e saúdam! A parceria entre o médium Francisco Cândido Xavier e o Espírito Emmanuel traz à luz a história de Quinto Varro e Taciano, almas ligadas por várias reencarnações que se reencontram no terceiro século do Cristianismo, na região controlada pelo Império Romano. Como exemplo de simplicidade, confiança e amor, os pioneiros da Boa Nova entregaram-se ao serviço do Cristo tendo como sustento apenas sua poderosa e inquebrantável fé. Uma comovente narrativa que mostra quanto pode realizar o verdadeiro amor em suas manifestações de solidariedade a bem das criaturas humanas.

29 de out. de 2020

ESTUDANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 TERCEIRA PARTE - AS LEIS MORAIS

LEI DA ~CONSERVAÇÃO - CAPÍTULO 5

II – Meios de Conservação

704. Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?

    — Sim, e se ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. É por isso que faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.

       705. Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?

       — E que o homem a negligência, o ingrato, e no entanto ela é uma excelente mãe.  Frequentemente ele ainda acusa a Natureza pelas consequências da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se. Se ela não supre a todas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que se destina ao necessário. Vede o árabe no deserto como encontra sempre do que viver, porque não cria necessidades fictícias. Mas quando metade dos produtos é desperdiçada na satisfação de fantasias, deve o homem se admirar de nada encontrar no dia seguinte e tem razão de se lastimar por se achar desprevenido quando chega o tempo de escassez? Na verdade, eu vos digo que não é a Natureza a imprevidente, é o homem que não sabe regular-se.

      706. Como bens da terra devemos entender apenas os produtos do solo?

      — O solo é a fonte primeira de que decorrem todos os outros recursos, porque esses recursos, em última instância, são apenas uma transformação dos produtos do solo. É por isso que devemos entender pelos bens da terra tudo quanto o homem pode gozar nesse mundo.

      707. Os meios de subsistência faltam frequentemente a certos indivíduos, mesmo em meio da abundância que os cerca; a que se deve ligar esse fato?

      — Ao egoísmo dos homens que nem sempre fazem o que devem; em seguida, e o mais frequentemente, a eles mesmos. Buscai e achareis; estas palavras não querem dizer que seja suficiente olhar para a terra a fim de encontrar o que se deseja, mas que é necessário procurar com ardor e perseverança, e não com displicência, sem se deixar desanimar pelos obstáculos que muito frequentemente não passam de meios de pôr à prova a vossa constância, a vossa paciência e a vossa firmeza. (Ver item 534.)

Comentário de Kardec: Se a civilização multiplica as necessidades, também multiplica as fontes de trabalho e os meios de vida; mas é preciso convir que nesse sentido ainda muito lhe resta a fazer. Quando ela tiver realizado a sua obra. ninguém poderá dizer que lhe falte o necessário, a menos que o falte por sua própria culpa. O mal, para muitos, é viverem uma vida que não é a que a Natureza lhes traçou; é então que lhes falta a inteligência para vencerem. Há para todos um lugar ao sol, mas com a condição de cada qual tomar o seu e não o dos outros. A Natureza não poderia ser responsável pelos vícios da organização social e pelas consequências da ambição e do amor-próprio.                       

     Seria preciso ser cego, entretanto, para não se reconhecer o progresso que nesse sentido têm realizado os povos mais adiantados.

     Graças aos louváveis esforços que a Filantropia e a Ciência, reunidas, não cessam de fazer para a melhoria da condição material dos homens, e malgrado o crescimento incessante das populações, a insuficiência da produção é atenuada, pelo menos em grande parte, e os anos mais calamitosos nada têm de comparável aos de há bem pouco tempo. A higiene pública, esse elemento tão essencial da energia e da saúde, desconhecido por nossos pais, é objeto de uma solicitude esclarecida; o infortúnio e o sofrimento encontram lugares de refúgio; por toda parte a Ciência é posta em ação, contribuindo para o acréscimo do bem-estar. Pode-se dizer que atingimos a perfeição? Oh! certamente que não. Mas o que já se fez dá-nos a medida do que pode ser feito, com perseverança, se o homem for bastante sensato para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e não nas utopias que o fazem recuar em vez de avançar.

     708. Não há situações em que os meios de subsistência não dependem absolutamente da vontade do homem e a privação do necessário, até o mais imperioso, é uma consequência das circunstâncias?

     — E uma prova frequentemente cruel que o homem deve sofrer e à qual subia que seria exposto; seu mérito está na submissão à vontade de Deus, se a sua inteligência não lhe fornecer algum meio de sair da dificuldade. Se a morte deve atingi-lo, ele deverá submeter-se sem lamentar, pensando que a hora da verdadeira liberdade chegou e que o desespero do momento final pode fazê-lo perder o fruto de sua resignação.

     709. Aqueles que em situações críticas se viram obrigados a sacrificar os semelhantes para matar a fome, cometeram com isso um crime? Se houve crime, é ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?

     — Já respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que devem ser duplamente punidos.

     710. Nos mundos onde a organização é mais apurada, os seres vivos têm necessidade de alimentação?

     — Sim, mas os seus alimentos estão em relação com a sua natureza. Esses alimentos não seriam tão substanciais para os vossos estômagos grosseiros; da mesma maneira, eles não poderiam digerir os vossos.

24 de out. de 2020

AUTOR: CAIBAR SCHUTEL

Cairbar Schutel 

Cairbar de Souza Schutel foi um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro. Encarnado em 22 de Setembro de 1868 na cidade do Rio de Janeiro, filho do negociante Anthero de Souza Schutel e de D. Rita Tavares Schutel, e desencarnado na cidade de Matão, Estado de São Paulo, no dia 30 de Janeiro de 1938, tornou-se incansável propagador da Doutrina Espírita, conseguindo realizar uma obra das mais admiráveis, revelando uma operosidade sem par e uma fé inquebrantável nos ideais reencarnacionistas. Órfão de pai e de mãe antes dos dez anos! A prova maior porque teria de passar seu espírito amoroso, extremamente sensível! Seu avô, Doutor Henrique Schutel, tomou o neto a seus cuidados, matriculando o menino no Imperial Colégio de Pedro II, onde Cairbar estudou até o segundo ano. Não desejando continuar os estudos, abandonou a casa do avô, e se tornou independente, trabalhando como prático de farmácia, de manhã até tarde da noite. Aos 17 anos de idade, Cairbar Schutel já era um bom prático de farmácia e, como não gostasse da vida na antiga Capital da República, ou se sentisse atraído para o interior, abandonou o Rio de Janeiro e, com o espírito povoado de idealismo e sonhos de realização, rumou para o Estado de São Paulo. Localizou-se primeiramente na cidade de Piracicaba, onde dirigiu a Farmácia Neves, e posteriormente em Araraquara e Matão. Naquela época a cidade de Matão era um lugarejo de roça, com mataria grossa a enfeitá-la com algumas poucas casas. Lutando para que a cidade se emancipasse do município de Araraquara, Cairbar Schutel contribuiu de modo decisivo para que Matão subisse à categoria de Município, tendo sido o primeiro Presidente de sua Câmara Municipal (1889). Na política, Cairbar não enfrentava oposição, pois pela sua humildade conseguia conquistar os corações de todos, tendo mesmo adquirido, com seus próprios recursos, o prédio para a instalação da Câmara Municipal. Havia em Matão um amigo seu de nome Manuel Pereira do Prado, mais conhecido por Manuel Calixto, cujo pai era o espírita da localidade. Procurado por Cairbar, o pai de Manuel lhe asseverou que havia dois anos que não fazia mais sessões espíritas, pois ali só se comunicavam, Espíritos atrasados, que pediam missas, e os pedidos eram tantos que ele tinha que arrumar dinheiro para encomendar as missas. Cairbar não se preocupou com a opinião do velho Calixto e fez questão de assistir a um trabalho mediúnico, no qual Calixto recebeu uma mensagem de elevado punho espiritual que muito agradou ao futuro missionário. Tempos depois, surgiram nele diversas mediunidades, sobressaindo a da psicografia, por meio da qual o pai se manifestou, provando a sua sobrevivência. Foi então que Cairbar resolveu aprofundar-se no conhecimento doutrinário, estudando as obras básicas de Allan Kardec e todas as outras publicadas em português. Convertido ao Espiritismo, Cairbar Schutel fundou, no dia 15 de jJulho de 1905, o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o primeiro em toda aquela zona paulista. Não satisfeito com isso, fundou em 15 de agosto de 1905 o jornal O Clarim, e, no dia 15 de Fevereiro de 1925, de colaboração com o grande idealista Luís Carlos de Oliveira Borges, que lhe franqueou os meios materiais, lançava a Revista Internacional do Espiritismo. Esses órgãos circulam até hoje, representando exemplo vivo de luta e de persistência. Sabia ser amigo dos párias da vida. Sempre feliz no seu receituário, transformou-se em autêntico Médico dos pobres e Pai da Pobreza de Matão, pois receitava e dava gratuitamente os remédios. Sua residência tornou-se numa espécie de Casa dos Pobres, saindo dali diariamente muita gente sobraçando embrulhos de víveres, roupas e até lenha. O sentimento de amor ao próximo teve nele um modelo digno de ser imitado. Atos de desprendimento e de renúncia eram coisas comuns para ele. Casou-se, em Itápolis, com D. Maria Elvira da Silva (Mariquinhas). Dessa união não houve filhos, tendo a consorte precedido o velho Schutel na vida de além túmulo. Polemista emérito, jamais se curvou as injunções e às perseguições que naqueles tempos se moviam ao Espiritismo. Os próprios adversários do Espiritismo não tinham coragem de atacá-lo, tão grande era a sua projeção moral. E a grandeza da sua dedicação fazia que o estimassem, cheios de respeito. Cairbar Scutel é conhecido nos meios espíritas como o Apóstolo de Matão, e o Espiritismo teve nele zeloso e esforçado propagador e um dos mais ardentes idealistas. Sua memória é cultivada com carinho e admiração. Cercado da consideração de seus familiares e de numerosos espíritas, desencarnou no dia 30 de janeiro de 1938. O povo de Matão havia perdido materialmente o Pai da Pobreza. Todos os espíritas do Brasil e quiçá do mundo sentiram tão valiosa perda. (Fonte: Grandes Espíritas do Brasil, Zêus Wantuil.)

Fonte: https://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/Textos/Cairbar%20Schutel.pdf

7 de set. de 2020

ESTUDANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS

TERCEIRA PARTE - AS LEIS MORAIS

LEI DA ~CONSERVAÇÃO - CAPÍTULO 5

I – Instinto de Conservação

      702. O instinto de conservação é uma lei da Natureza?

     — Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o seu grau de inteligência; nuns é puramente mecânico e noutros é racional.

     703. Com que fim Deus concedeu a todos os seres vivos o instinto de conservação?

     — Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Depois, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.


SUGESTÃO DE LEITURA

Este mês trazemos como  sugestão de leitura o livro Cinquenta anos depois de Emmanuel pela psicografia de Francisco C. Xavier. 

Neste romance Emmanuel conta-nos uma história ligada ao Cristianismo do século II. Nele, alguns personagens do livro “Há Dois Mil Anos” voltam à jornada terrena vivenciando, de modo claro, a lei de causa e efeito. Um dos personagens centrais daquela obra, o Senador Públio Lentulus, apresenta-se nesta em uma nova roupagem, encarnado como um escravo: Nestório. 

Sinopse:

Somente os séculos de trabalho e dor poderão anular os séculos de egoísmo, orgulho e ambição que nos conduziram à iniquidade! Passados cinquenta anos de sua trajetória como o senador Publius Lentulus, o Espírito Emmanuel retorna à existência terrena em uma realidade totalmente diferente da anterior. Como o escravo Nestório, o autor espiritual vivencia a lei de causa e efeito e reencontra alguns personagens apresentados no livro Há dois mil anos, enquanto percorre um caminho de aprendizado sobre orgulho e vaidade, sob sincera misericórdia do Senhor. A psicografia do médium Francisco Cândido Xavier apresenta ainda a história da jovem Célia, mulher de coração sublime que vivenciou as lições de Jesus de maneira profunda e intensamente influenciou Nestório com exemplos de humildade e calma em pleno Cristianismo nascente do século II.

Fonte: https://www.febeditora.com.br/cinquenta-anos-depois