30 de out. de 2020
29 de out. de 2020
ESTUDANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS
TERCEIRA PARTE - AS LEIS MORAIS
704. Deus, dando ao homem a
necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?
— Sim, e se
ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia dar ao
homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. É por isso que
faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos os seus
habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.
705.
Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?
— E
que o homem a negligência, o ingrato, e no entanto ela é uma excelente
mãe. Frequentemente ele ainda acusa a
Natureza pelas consequências da sua imperícia ou da sua imprevidência. A
terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se. Se
ela não supre a todas as necessidades é porque o homem emprega no
supérfluo o que se destina ao necessário. Vede o árabe no deserto como
encontra sempre do que viver, porque não cria necessidades fictícias. Mas
quando metade dos produtos é desperdiçada na satisfação de fantasias, deve
o homem se admirar de nada encontrar no dia seguinte e tem razão de se
lastimar por se achar desprevenido quando chega o tempo de
escassez? Na verdade, eu vos digo que não é a Natureza a imprevidente, é o
homem que não sabe regular-se.
706. Como
bens da terra devemos entender apenas os produtos do solo?
— O
solo é a fonte primeira de que decorrem todos os outros recursos, porque
esses recursos, em última instância, são apenas uma transformação dos
produtos do solo. É por isso que devemos entender pelos bens da terra tudo
quanto o homem pode gozar nesse mundo.
707.
Os meios de subsistência faltam frequentemente a certos indivíduos, mesmo em
meio da abundância que os cerca; a que se deve ligar esse fato?
— Ao
egoísmo dos homens que nem sempre fazem o que devem; em seguida, e o mais
frequentemente, a eles mesmos. Buscai e achareis; estas palavras não
querem dizer que seja suficiente olhar para a terra a fim de encontrar o
que se deseja, mas que é necessário procurar com ardor e perseverança, e
não com displicência, sem se deixar desanimar pelos obstáculos que muito
frequentemente não passam de meios de pôr à prova a vossa constância, a
vossa paciência e a vossa firmeza. (Ver item 534.)
Comentário de Kardec: Se a civilização multiplica as
necessidades, também multiplica as fontes de trabalho e os meios de vida; mas é
preciso convir que nesse sentido ainda muito lhe resta a fazer. Quando ela
tiver realizado a sua obra. ninguém poderá dizer que lhe falte o necessário, a
menos que o falte por sua própria culpa. O mal, para muitos, é viverem uma vida
que não é a que a Natureza lhes traçou; é então que lhes falta a inteligência
para vencerem. Há para todos um lugar ao sol, mas com a condição de cada qual
tomar o seu e não o dos outros. A Natureza não poderia ser responsável pelos
vícios da organização social e pelas consequências da ambição e do
amor-próprio.
Seria
preciso ser cego, entretanto, para não se reconhecer o progresso que nesse sentido
têm realizado os povos mais adiantados.
Graças
aos louváveis esforços que a Filantropia e a Ciência, reunidas, não cessam de
fazer para a melhoria da condição material dos homens, e malgrado o crescimento
incessante das populações, a insuficiência da produção é atenuada, pelo menos
em grande parte, e os anos mais calamitosos nada têm de comparável aos de há
bem pouco tempo. A higiene pública, esse elemento tão essencial da energia e da
saúde, desconhecido por nossos pais, é objeto de uma solicitude esclarecida; o
infortúnio e o sofrimento encontram lugares de refúgio; por toda parte a
Ciência é posta em ação, contribuindo para o acréscimo do bem-estar. Pode-se
dizer que atingimos a perfeição? Oh! certamente que não. Mas o que já se fez
dá-nos a medida do que pode ser feito, com perseverança, se o homem for
bastante sensato para procurar a sua felicidade nas coisas positivas e sérias e
não nas utopias que o fazem recuar em vez de avançar.
708.
Não há situações em que os meios de subsistência não dependem absolutamente da
vontade do homem e a privação do necessário, até o mais imperioso, é uma consequência
das circunstâncias?
— E
uma prova frequentemente cruel que o homem deve sofrer e à qual subia que
seria exposto; seu mérito está na submissão à vontade de Deus, se a sua
inteligência não lhe fornecer algum meio de sair da dificuldade. Se
a morte deve atingi-lo, ele deverá submeter-se sem lamentar, pensando que
a hora da verdadeira liberdade chegou e que o desespero do momento
final pode fazê-lo perder o fruto de sua resignação.
709.
Aqueles que em situações críticas se viram obrigados a sacrificar os
semelhantes para matar a fome, cometeram com isso um crime? Se houve crime, é
ele atenuado pela necessidade de viver que o instinto de conservação lhes dá?
— Já
respondi, ao dizer que há mais mérito em sofrer todas as provas da vida
com abnegação e coragem. Há homicídio e crime de lesa-natureza, que devem
ser duplamente punidos.
710. Nos
mundos onde a organização é mais apurada, os seres vivos têm necessidade de
alimentação?
— Sim,
mas os seus alimentos estão em relação com a sua natureza. Esses alimentos
não seriam tão substanciais para os vossos estômagos grosseiros; da mesma
maneira, eles não poderiam digerir os vossos.
24 de out. de 2020
AUTOR: CAIBAR SCHUTEL
Cairbar Schutel
Cairbar de Souza Schutel foi um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro. Encarnado em 22 de Setembro de 1868 na cidade do Rio de Janeiro, filho do negociante Anthero de Souza Schutel e de D. Rita Tavares Schutel, e desencarnado na cidade de Matão, Estado de São Paulo, no dia 30 de Janeiro de 1938, tornou-se incansável propagador da Doutrina Espírita, conseguindo realizar uma obra das mais admiráveis, revelando uma operosidade sem par e uma fé inquebrantável nos ideais reencarnacionistas. Órfão de pai e de mãe antes dos dez anos! A prova maior porque teria de passar seu espírito amoroso, extremamente sensível! Seu avô, Doutor Henrique Schutel, tomou o neto a seus cuidados, matriculando o menino no Imperial Colégio de Pedro II, onde Cairbar estudou até o segundo ano. Não desejando continuar os estudos, abandonou a casa do avô, e se tornou independente, trabalhando como prático de farmácia, de manhã até tarde da noite. Aos 17 anos de idade, Cairbar Schutel já era um bom prático de farmácia e, como não gostasse da vida na antiga Capital da República, ou se sentisse atraído para o interior, abandonou o Rio de Janeiro e, com o espírito povoado de idealismo e sonhos de realização, rumou para o Estado de São Paulo. Localizou-se primeiramente na cidade de Piracicaba, onde dirigiu a Farmácia Neves, e posteriormente em Araraquara e Matão. Naquela época a cidade de Matão era um lugarejo de roça, com mataria grossa a enfeitá-la com algumas poucas casas. Lutando para que a cidade se emancipasse do município de Araraquara, Cairbar Schutel contribuiu de modo decisivo para que Matão subisse à categoria de Município, tendo sido o primeiro Presidente de sua Câmara Municipal (1889). Na política, Cairbar não enfrentava oposição, pois pela sua humildade conseguia conquistar os corações de todos, tendo mesmo adquirido, com seus próprios recursos, o prédio para a instalação da Câmara Municipal. Havia em Matão um amigo seu de nome Manuel Pereira do Prado, mais conhecido por Manuel Calixto, cujo pai era o espírita da localidade. Procurado por Cairbar, o pai de Manuel lhe asseverou que havia dois anos que não fazia mais sessões espíritas, pois ali só se comunicavam, Espíritos atrasados, que pediam missas, e os pedidos eram tantos que ele tinha que arrumar dinheiro para encomendar as missas. Cairbar não se preocupou com a opinião do velho Calixto e fez questão de assistir a um trabalho mediúnico, no qual Calixto recebeu uma mensagem de elevado punho espiritual que muito agradou ao futuro missionário. Tempos depois, surgiram nele diversas mediunidades, sobressaindo a da psicografia, por meio da qual o pai se manifestou, provando a sua sobrevivência. Foi então que Cairbar resolveu aprofundar-se no conhecimento doutrinário, estudando as obras básicas de Allan Kardec e todas as outras publicadas em português. Convertido ao Espiritismo, Cairbar Schutel fundou, no dia 15 de jJulho de 1905, o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o primeiro em toda aquela zona paulista. Não satisfeito com isso, fundou em 15 de agosto de 1905 o jornal O Clarim, e, no dia 15 de Fevereiro de 1925, de colaboração com o grande idealista Luís Carlos de Oliveira Borges, que lhe franqueou os meios materiais, lançava a Revista Internacional do Espiritismo. Esses órgãos circulam até hoje, representando exemplo vivo de luta e de persistência. Sabia ser amigo dos párias da vida. Sempre feliz no seu receituário, transformou-se em autêntico Médico dos pobres e Pai da Pobreza de Matão, pois receitava e dava gratuitamente os remédios. Sua residência tornou-se numa espécie de Casa dos Pobres, saindo dali diariamente muita gente sobraçando embrulhos de víveres, roupas e até lenha. O sentimento de amor ao próximo teve nele um modelo digno de ser imitado. Atos de desprendimento e de renúncia eram coisas comuns para ele. Casou-se, em Itápolis, com D. Maria Elvira da Silva (Mariquinhas). Dessa união não houve filhos, tendo a consorte precedido o velho Schutel na vida de além túmulo. Polemista emérito, jamais se curvou as injunções e às perseguições que naqueles tempos se moviam ao Espiritismo. Os próprios adversários do Espiritismo não tinham coragem de atacá-lo, tão grande era a sua projeção moral. E a grandeza da sua dedicação fazia que o estimassem, cheios de respeito. Cairbar Scutel é conhecido nos meios espíritas como o Apóstolo de Matão, e o Espiritismo teve nele zeloso e esforçado propagador e um dos mais ardentes idealistas. Sua memória é cultivada com carinho e admiração. Cercado da consideração de seus familiares e de numerosos espíritas, desencarnou no dia 30 de janeiro de 1938. O povo de Matão havia perdido materialmente o Pai da Pobreza. Todos os espíritas do Brasil e quiçá do mundo sentiram tão valiosa perda. (Fonte: Grandes Espíritas do Brasil, Zêus Wantuil.)
Fonte: https://www.febnet.org.br/ba/file/Pesquisa/Textos/Cairbar%20Schutel.pdf


