Em 1857, viajou pelo
Exterior e retornou à Rússia, ardendo de desejo de ajudar o seu povo. Fundou,
em sua propriedade, uma escola para crianças e adultos, buscando aplicar o que
vira no Ocidente, empregando um método que se baseava na compreensão e na
bondade e que excluía o castigo físico.4
Reencontrando Sofia Andrieievna,
amiga de infância, casou-se, em 1862, e viveu em relativa felicidade e
tranquilidade até 1869, quando concluiu Guerra
e paz. Nesse período, ocorrem as mortes de três de seus filhos e
Sofia adoece.
Tolstói está escrevendo Ana Karenina, que foi
classificado como uma perfeita obra de arte, por Dostoievski, mas se sente
abatido e vazio, com dificuldades emocionais para concluir a obra. Reconhece
ter tudo, é escritor renomado, tem saúde, dinheiro, ama e é amado, mas a vida
perdeu o sentido.
Ele deseja conhecer a razão da
vida, a diferença entre o bem e o mal, como se deve viver, o que é a morte.
Nenhuma filosofia consegue aplacar a dor de sua alma. Resolve ir em busca da
religião, dialoga com religiosos e aprofunda-se no Evangelho. Descobre o quanto
a religião está na superficialidade daquela obra magistral, decepciona-se e
resolve pregar o cristianismo e viver os seus ensinos.
Na frase de Jesus, que não resistais ao mal (Mt
5:39) ele, de fato, encontra um caminho. Procura viver de forma condizente com
seu novo credo, funda uma doutrina, o Tolstoísmo,
que pregava o não revidar o mal, falava da necessidade de amar ao próximo como
a si mesmo, pregava a renúncia das riquezas, a abstinência sexual entre os
casais, evitar o ócio.
Entretanto, ele próprio se
esforçava por seguir o que pregava. Ao tratar da abstinência sexual, sua esposa
dava à luz ao seu décimo terceiro filho. Em relação ao ócio, afirmava que a minha preguiça é tal que a ociosidade
se tornou para mim uma exigência.
Apesar de cuidar dos seus servos
não pôde se desfazer de toda a riqueza, por impedimentos familiares.
Foi enorme o impacto dessa fase
de sua vida sobre o mundo. Gandhi, que conhecia parte da obra de Tolstói, leu
a Carta a um Hindu,
em uma tradução de Tchertkov e captou o conceito de resistência passiva pela
não violência. Ambos mantiveram uma correspondência densa, porém breve,
interrompida definitivamente pela morte de Tolstói.
O escritor russo Gorki define Tolstói
como um homem de
humanidade, nem melhor nem diferente dos outros, mas um homem que sentia
melhor, sofria mais, vivia mais intensamente. 2
Em sua obra, datada de
1886, A morte de Ivan
Ilitch, fica evidente que, para ele, a caridade é o segredo para a
salvação.
No final da vida ele queria viver
no recolhimento, na paz, na simplicidade. Sofia desejava a corte. Ele foge de
casa em outubro de 1910, está com oitenta e dois anos. Não vai muito longe.
Doente e cansado, detém-se para descanso na aldeia de Astápovo, onde vem a
desencarnar, a 7 de novembro [os autores são contraditórios, citando alguns o
dia 14 e outros o dia 20].
Em todo o mundo rendeu-se
lhe o tributo de uma admiração e de um reconhecimento sem limites. Tolstói é
considerado grande – não pelos seus ensaios, mas pelas obras de ficção que
tantas vezes rejeitou em vida; não pelas doutrinas que criou, pelas previsões
de sociedades do futuro, pelos arroubos de misticismo… mas pelo fato de ter
lutado para tentar pôr suas ideias em prática, pela visão de mundo que
transmitiu, pelo conhecimento profundo da alma humana que captou com maestria e
registrou em sua obra4.
No ano de 1961, o Espírito Tolstói
se apresentou para a médium Yvonne do Amaral Pereira, dizendo-lhe do seu
propósito de escrever por seu intermédio.
O primeiro foi o conto O sonho de Rafaela que,
junto a outros cinco e dois pequenos romances reunidos deram vida, em 1963, ao
livro Ressurreição e vida,
editado pela Federação Espírita Brasileira – FEB, onde aborda, de forma
brilhante, a reencarnação, a imortalidade, a obsessão e o psiquismo humano.
Em 1973, no livro Sublimação [ed. FEB], nos brinda com quatro
contos.
Bibliografia:
1. GIGANTES: Leão Tolstói. Verbo,
1972.
2. NETO, Aureliano Alves. Tolstói. Presença Espírita, ano IX,
n. 108, fev. 1983.
3.
AS Ideias espíritas de Leon Tolstói. Revista
Internacional de Espiritismo, ano LXXVIII, n. 09, out. 2003.
4. http://feparana.com.br/topico/?topico=739
Fonte: http://www.mundoespirita.com.br/?materia=leon-nikolaievich-tolstoi


