Um antigo presidente de nossa Casa, o Sr. Waldemar, costumava brincar com um evangelizando, dizendo que o mês de outubro era importante porque marcava o aniversário de Kardec, de Amaral Ornellas, dele e da pequenina criança, e arrematava dizendo-lhe: quem dera fôssemos como eles!
Esta é uma suave recordação de companheiro tão querido que, na sua brincadeira, nos levava a refletir sobre os exemplos destes dois valorosos Espíritos que reencarnaram num mesmo mês com 81anos de diferença: um, para ser o Codificador do Consolador prometido por Jesus e, o outro, para ser um trabalhador na Seara do Mestre à luz da Doutrina Espírita.
Reverenciamos nestes companheiros a perseverança, a coragem para seguir as pegadas do Mestre, trabalhando incansavelmente para a divulgação da Doutrina Espírita a fim de que o materialismo fosse combatido e a mensagem do Mestre fosse bem compreendida e germinasse nos corações a esperança, a alegria de viver.
Em suas vidas, ambos passaram pelas vicissitudes e dissabores comuns a todos nós encarnados na Terra, mas resignaram-se, foram humildes porque tinham a certeza da Misericórdia Divina, confiavam no amparo dos Bons Espíritos: Kardec recebeu os ataques de todos os detratores da Doutrina Espírita e Ornellas enfrentou as perseguições que os Espíritas sofriam no início do século XX.
E foi num mês de outubro que Kardec passou por uma experiência amarga: o Auto-de-fé, em Barcelona, no ano de 1861, quando trezentos exemplares de obras espíritas diversas foram queimados em praça pública por ordem do Bispo. Neste episódio, Kardec exemplifica a humildade e a serena confiança na orientação que recebe do Espírito de Verdade: não reagir, deixar que os acontecimentos sigam seu curso, porque “a queima dos livros determinará uma grande expansão das ideias espíritas e uma procura febricitante das obras dessa doutrina. As ideias se disseminarão lá com maior rapidez e as obras serão procuradas com maior avidez, desde que as tenham queimado. Tudo vai bem.”
Por tudo isso, é que neste mês Rota de Luz homenageia Kardec e Ornellas, aos quais somos gratos por nos oferecer no CEAO tantas oportunidades de esclarecimento pelo estudo e de consolo através das atividades de socorro espiritual. Deus os abençoe!
Em homenagem a Kardec
A cultura atingira o apogeu da descrença,
Imergira-se o Templo em fumo de vanglória
E, embora fosse o Cristo a eterna luz da História,
Afligia-se a Terra em sombra espessa e imensa.
A civilização padecia a presença
De soberano caos em púrpura irrisória,
Sob a pompa do verbo esfervilhada a escória,
Da cegueira e do escárnio a erguer-se em treva densa.
Mas Kardec domina a enorme noite humana
E traz no Espiritismo a Fé que se engalana,
Ao fulgor da Razão generosa e sincera...
O Evangelho ressurge. O céu brilha de novo.
E, Jesus, retornando ao coração do povo,
Acende para o mundo o Sol da Nova Era.
Amaral Ornellas
O Prof. Rivail (Allan Kardec) tinha muitos amigos no meio literário parisiense, especialmente o romancista Théophile Gaultier e o comediógrafo Vitorien Sardou, além de uma relação cordial, mas distante, com Vitor Hugo, considerado por muitos o maior escritor do século XIX. Todos esses eram espíritas.
Nos arquivos pessoais de Vitor Hugo há um exemplar profusamente anotado de O Livro dos Espíritos. Também é comprovado que Hugo leu O Livro dos Médiuns. Uma de suas maiores obras, Les Contemplations, contém um poema que parece uma homenagem cifrada a Kardec e à Sociedade Parisiense de Estudos Espítitas, o poema Spes, que tanto pode significar “Esperança” em Latim, como era a sigla da Société Parisienne d’Études Spirites. Coincidência ou não, o poema fala sobre a certeza da vida além-túmulo
Fonte :Editorial do Rota de Luz-Boletim Informativo do CEAO- Outubro/2012

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