Abençoadas sejam as mãos que, em
memória de Jesus, espalham no Natal a prata e o ouro, diminuindo a
miséria e a necessidade, a fome e a nudez!
Entretanto, se não forem iluminadas
pelo amor que ajuda sempre, esses flagelos voltarão amanhã, como a erva
daninha que espreita a ausência do lavrador.
Não retenhas, assim, a riqueza do coração que podes dar, tanto quanto o maior potentado da Terra!
Deixa que a manjedoura de tua alma se abra, feliz, ao Soberano Celeste, para que a luz te banhe a vida.
Com Ele, estenderás o coração onde
estiveres, seja para trocar um pensamento compassivo com a palavra
escura e áspera ou para adubar uma semente de esperança, onde a aflição
mantém o deserto! Com EIe, inflamarás de júbilo os olhos de algum menino
triste e desamparado e uma simples criança, arrebatada hoje ao
vendaval, pode amanhã ser o consolo da multidão. Com Ele, podes oferecer
a bênção da tolerância aos que trabalham contigo, transformando o altar
de teu coração em altar de Deus!
Que tesouro terrestre pagará o gesto
de compreensão no caminho empedrado, o sorriso luminoso da bondade no
espinheiro da sombra e a oração do carinho e do entendimento no instante
da morte?
Natal no mundo é a epopéia do reconhecimento ao Senhor.
Natal no espírito é a comunhão com Ele próprio.
Ainda que te encontres em plena
solidão da pobreza e do infortúnio, sai de ti mesmo e reparte com alguém
o dom inefável de tua fé.
Lembra-te de que Ele, em brilhando na
manjedoura, tinha consigo apenas o amor a desfazer-se em humildade, e,
em agonizando na cruz, possuía apenas o coração, a desfazer-se em
renúncia.
Mas, usando tão somente o coração e o
amor, sem uma pedra onde repousar a cabeça converteu-se no Salvador do
Mundo, e, embora coroado de espinhos, fez-se o Rei das Nações para
sempre.
(Página recebida pelo médium FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)
Por Meimei
Publicado no Jornal Correio Fraterno - Edição 002 Dezembro 1967 / Janeiro 1968
(Texto original com inserção atual de imagem)

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