Nessa obra, o capítulo 18 é dedicado
a Resgates Coletivos e André Luiz nos esclarece a lição apreendida por seu mentor
Druso.
...“ O socorro no avião sinistrado é distribuído
indistintamente, contudo, não podemos esquecer que se o desastre é o mesmo para
todos os que tombaram, a morte é diferente para cada um. No momento serão
retirados da carne tão-somente aqueles cuja vida
interior lhes outorga a imediata liberação. Quanto
aos outros, cuja situação presente não lhes favorece o afastamento rápido da
armadura física, permanecerão ligados, por mais tempo, aos despojos que lhes
dizem respeito.
– Quantos dias? – clamou meu colega, incapaz de
conter a emoção de que se via possuído.
– Depende do grau de animalização dos fluidos que
lhes retêm o Espírito à atividade corpórea – respondeu-nos o mentor. – Alguns
serão detidos por algumas horas, outros, talvez, por longos dias... Quem sabe?
Corpo inerte nem sempre significa libertação da alma. O gênero de vida que
alimentamos no estágio físico dita as verdadeiras condições de nossa morte.
Quanto mais chafurdamos o ser nas correntes de baixas ilusões, mais tempo
gastamos para esgotar as energias vitais que nos aprisionam à matéria pesada e
primitiva de que se nos constitui a instrumentação fisiológica, demorando-nos
nas criações mentais inferiores a que nos ajustamos, nelas encontrando
combustível para dilatados enganos nas sombras do campo carnal, propriamente
considerado. E quanto mais nos submetamos às disciplinas do espírito, que nos
aconselham equilíbrio e sublimação, mais amplas facilidades conquistaremos para
a exoneração da carne em quaisquer emergências de que não possamos fugir por
força dos débitos contraídos perante a Lei. Assim é que “morte física” não é o
mesmo que “emancipação espiritual”...

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